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5 sinais da Era da Economia de Dados

por Elcio Santos - 09/10/2019

5 sinais de que estamos entrando em uma Era da Economia de Dados (por falar nisso, você sabe quanto valem seus dados pessoais?)

Em agosto de 2020, entrará em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

E o Brasil não está sozinho nesse movimento.

Desde o ano passado, a União Europeia tem uma lei similar, a GDPR, e a Califórnia terá sua CCPA, uma lei específica de privacidade, a partir de janeiro próximo.

(Em dúvida sobre a implementação do LGPD? Saiba como descomplicar o assunto. Converse com um dos nossos especialistas).

A proliferação de leis sobre o tema, acreditam os consultores Florian Gröne, Pierre Péladeau e Rawia Abdel Samad, da Strategy&, unidade da PwC, deve em primeiro lugar ampliar a percepção de que informação tem dono e, consequentemente, desencadear um debate sobre a geração de um valor, ou seja, um preço com o qual se possa estabelecer um câmbio com moedas fiduciárias, para a informação pessoal, uma vez que é um ativo fundamental para o funcionamento de qualquer negócio digital.

Os economistas terão como se divertir, pois é inevitável o fato de que teremos de lidar com variáveis como inflação, mercado negro, etc.

Por enquanto, porém, temos apenas que observar e tentar entender os sinais mais evidentes dessa Era que se avizinha.

Economia de Dados

Estamos começando a nos acostumar com números realmente enormes para falar de dados.

A partir do início da era da computação, tornou-se familiar o termo byte, que é o diminutivo da expressão inglesa binary term, termo binário.

Em geral, cada byte tem 8 bits, binary digits. Até aí, nada demais, significa apenas um número composto de oito dígitos.

Ocorre que, a partir da década de 60 do século passado, por vários motivos, a nascente ciência da informática passou a usar um código chamado ASCII – American Standard Code for Information Interchange, Código Padrão Americano para o Intercâmbio de Informação, geralmente pronunciado [áski] – que adotou o byte para organizar os elementos e criar comunicação entre os dispositivos.

Cada byte consegue representar até 256 valores, 28.

E os primeiros computadores lidavam com quantidades de dados que podiam ser expressos em quilobytes, milhares de bytes, portanto.

O termo quilo foi criado em 1795 e até então ninguém havia se preocupado em nomear uma quantidade maior.

Mas logo a barreira do milhão foi rompida e surgiu a expressão megabytes, um milhão de bytes, seguida por gigabytes, um bilhão de bytes, e terabytes, um trilhão de bytes.

Numericamente, significa sair de 1 seguido por três zeros para 1 seguido por doze zeros.

Impressionante?

Você ainda não viu nada.

Em 2018, de acordo com a International Data Corporation (IDC), o mundo gerou 33 zettabytes de dados de todas as fontes.

Cinco anos antes o número era 4,4 zettabytes de dados gerados, tendo havido portanto uma taxa de crescimento anual composta de 50%.

Até 2025, os especialistas calculam que esse oceano de informações deve aumentar para 175 zettabytes.

(Ah, esquecemos de dizer: um zettabyte é um bilhão de terabytes ou 1021 bytes; o cientista de dados Riza Berkan estima que um zettabyte armazenado em livros impressos criaria uma pilha que chegasse ao sol e voltasse cinco vezes.)

Economia de Dados: cada pessoa gera um número espantoso de dados por dia

A grande maioria das interações de dados ocorre entre as máquinas – muitas delas online, mas um número cada vez maior em dispositivos da Internet das Coisas (IoT).

Na verdade, a maioria dos dados é armazenada por apenas alguns milissegundos antes de ser descartada.

No entanto, cerca de 3,7 zettabytes de dados gerados por pessoas – uma média de 117 gigabytes de dados por usuário da Internet – são armazenados por ano.

Cerca de 25% disso é armazenado pelo Google (de longe a maior porcentagem de dados do usuário armazenados por uma única empresa) e outro 1% pelo Facebook.

Até 2025, a geração média de dados por pessoa deverá atingir quase 300 gigabytes.

Um relatório da IDC patrocinado pela Seagate estima que uma pessoa produzirá, em média, mais de 4.900 interações de dados por dia, ou um dado a cada 18 segundos, cerca de 20% deles críticos para a vida cotidiana.

Cerca de 90% desses dados estarão vulneráveis ​​a captura não autorizada ou roubo cibernético, mas menos da metade será protegida.

O valor gerado pelos dados ainda é impulsionado pela publicidade online, mas isso vai mudar.

Em 2018, a publicidade online gerou quase 80% da receita do setor em 2018 – com a fatia do leão sendo devorada por Google e Facebook.

Com o tempo, no entanto, acreditam os consultores da PwC, a proporção de criação de valor da publicidade diminuirá.

Uma vez que praticamente toda a publicidade se torne digital, seu crescimento atingirá um limite, não importa quão bem direcionado seja.

E os corretores de dados se esforçarão para vender informações pessoais assim que os limites regulamentares forem impostos à sua divulgação e os usuários começarem a restringir sua coleta.
O maior crescimento provavelmente virá das vendas diretas.

Empresas como montadoras, varejistas, empresas de pagamento e operadoras de telecomunicações buscarão melhorar suas vendas e operações.

Depois que um ecossistema de dados comerciais viável for criado por meio do qual todos os players, incluindo provedores de serviços e usuários, podem vender, comprar, negociar e lucrar com dados, as condições estarão em vigor para um novo tipo de economia baseada em dados.

Abrangerá uma gama de novos serviços, alguns em áreas atuais como assistência médica, bancos, seguros, mídia e entretenimento, e outros que ainda são inimagináveis.

Como calcular o valor de um dado pessoal?

E por que fazer isso?

De acordo com a análise dos consultores da PwC, atualmente, os dados pessoais de um usuário médio da Internet nos EUA estão avaliados em cerca de 1,18 dólar por mês e até 4,91 dólares por mês, pois lá o mercado de publicidade online é muito maior do que em outros lugares.

Por exemplo, pessoas dispostas a instalar um dispositivo telemático em seu carro e, assim, fornecer dados de direção em tempo real à sua companhia de seguros – e demonstrar que dirigem com segurança, é claro – podem obter descontos de até 50% em seus seguros.

À medida que o ecossistema de dados completo tome forma, o valor dos dados comportamentais do consumidor provavelmente aumentará.

As empresas de seguros, assistência médica e comércio eletrônico, entre outras, agregarão os dados de seus clientes e os usarão para operar com mais eficiência e lançar novos produtos e serviços com mais êxito.

Só isso pode valer várias centenas de dólares por ano para um indivíduo.

Os hackers estão cada vez mais ativos

Por fim, há o fato de que também estão proliferando os roubos de bancos de dados.

Em janeiro, um grupo de hackers enviou mais de 12.000 arquivos para um serviço de hospedagem em nuvem chamado MEGA.

A coleção incluiu 87 gigabytes de dados, 21 milhões de senhas e 770 milhões de endereços de email.

Em fevereiro, outras seis coleções apareceram online, uma delas contendo mais de meio terabyte de dados.

No entanto, embora 140 milhões dos endereços de email divulgados na primeira violação não tivessem sido vistos antes, muitos dos outros já estavam circulando em fóruns da dark web.

“Além de materiais de dados mais óbvios, como detalhes de cartões de crédito e débito roubados, é possível adquirir informações de previdência social, datas de nascimento e endereços residenciais em muitos países, além de outros tipos de informações básicas, muitas vezes por não mais de cerca de US$ 3 por registro ”, escreveu o Dr. Mike McGuire, da Universidade de Surrey, no relatório Web of Profit da Bromium no ano passado.

Quase metade dos consumidores pesquisados ​​pela Veeam em um estudo recente disse que estava mais preocupada com a perda de dados do que com seus pertences, com o britânico médio avaliando suas informações pessoais em 27.000 libras esterlinas, vários múltiplos a mais do que é negociado na dark web.

No entanto, o verdadeiro valor dos dados não pode ser quantificado apenas pelo quanto ele vende na dark web.

“Depende de quem está comprando e para quê”, diz Alan Woodward, professor de cibersegurança da Surrey University.

“Embora o valor dos dados na dark web tenha diminuído devido ao excesso de oferta, o valor dos dados de uma pessoa para um profissional de marketing é um pouco diferente. Para qualquer uso individual, pode custar apenas alguns centavos, mas é usado muitos milhões de vezes. É o valor bruto e não o valor de venda individual que é importante.”

Resumindo sobre Economia de Dados:

Está na hora de você começar a se preocupar com quais dados pessoais dos seus clientes você guarda e se está acumulando uma riqueza inestimável ou gerando uma fonte de dores de cabeça incontrolável.

Podemos descomplicar isso.

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